História e Curiosidades de LISBOA, Portugal

Cristo Rei diante do Tejo e da ponte 25 de Abril
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Cristo Rei diante do Tejo e da ponte 25 de Abril

Uma cidade que por muito tempo ficou esquecida na Europa, e hoje é uma das queridinhas tanto dos Europeus como também de nós Brasileiros, a capital portuguesa é uma cidade repleta de história, vibrante em cultura, belezas naturais e arquitetônicas, além de várias outras qualidades e, claro, também tem seus problemas.

Mas antes, se você preferir saber a história de Lisboa com muitas belas imagens, confira o vídeo do nosso canal do Youtube:

Mas vamos lá. Lisboa foi fundada pelos fenícios, com o nome de Alis Ubbo (que significa, adivinha, PORTO SEGURO), e já foi ocupada por gregos, romanos, e já foi dominada pelos Muçulmanos, que lhe deram o nome de Al-Ushbuna. Afonso II, o Casto, recuperou-a durante uma década, entre 798 e 808.

Foi, no entanto, com o rei D. Afonso III que a cidade de Lisboa passou definitivamente a ser a capital do Reino de Portugal. Nesta época (Por volta de 1250), Lisboa era já um importante núcleo económico de trocas, possuindo dois mercados centrais de hortaliças: a Praça da Ribeira e a Praça da Figueira, hoje importantes praças da cidade.

A partir do século XV, o porto de Lisboa tornou-se um dos mais importantes do mundo, apesar de ter perdido espaço para alguns importantes portos europeus como Roterdã, Hamburgo e outros.

No ano de 1500, D. Manuel I abandonou o castelo e passou a fixar-se no Paço Real (no atual Terreiro do Paço), onde toda a vida comercial de Lisboa se passou a centralizar. É nesta altura que nasce o Bairro Alto, onde posteriormente se viria fixar muita da aristocracia portuguesa, bairro que hoje tem uma vida noturna muito ativa e divertida.

Ilustração da Praça do Comércio antes do terremoto
Terreiro do Paço (ou Praça do Comércio)

No século seguinte, a Casa da Índia – que foi foi uma organização portuguesa criada por volta de 1503 em Lisboa para administrar os territórios portugueses além mar, assim como todos os aspetos do comércio externo, navegação, desembarque e venda de mercadorias  – contribuiu para o aumento da riqueza da cidade graças ao comércio gerado com a Ásia, África e Brasil, ganhando a triste marca de ser o centro de tráfico de escravos mais importante da Europa.

Em 1580, novamente Lisboa saiu do controle dos portugueses: o duque de Alba conquistou Portugal e o rei espanhol Felipe II tornou-se rei de Portugal, sendo que o país só viria a recuperar a sua independência em 1640, seguindo-se um período esplendoroso na cidade devido às grandes riquezas trazidas do Brasil.

E por que tantas disputas por Lisboa? Um dos motivos é sua posição geográfica estratégica no estuário do maior rio da Península Ibérica, o Tejo; do seu porto natural ser o melhor para o reabastecimento dos barcos que fazem o comércio entre o Mar do Norte e o Mediterrâneo; além da sua proximidade no extremo Sul e Ocidente da Europa, com os novos continentes da África Subsaariana e da América.

Do final do século XV até o final do século XVIII, de forma quase ininterrupta a cidade (leia-se o rei, a Igreja, a nobreza e a burguesia comercial, não o povão) beneficiou-se das riquezas do ultramar.

Só a Igreja, com um patrimônio cada vez maior, construiu mais algumas dezenas de conventos e templos repletos de ornamentos de ouro, enquanto os sacerdotes, geralmente ociosos, chegavam a constituir aproximadamente 6% da população lisboeta.

Foi esse setor ultraconservador da sociedade portuguesa que impediu, com o poder que lhe conferia a Inquisição, e com o apoio a nobreza, o surgimento de uma burguesia industrial e qualquer tentativa de industrialização do país. Mais uma vez, a história ajuda a entender o presente, não é?

Essa situação só mudaria durante o governo do Marquês de Pombal, o todo-poderoso ministro do rei Dom José I. E a importância do Marquês se segue a uma incrível tragédia: um dos mais marcantes momentos da história lisboeta ocorreu em 1 de novembro de 1755.

Nesta data, um terremoto de proporções gigantescas destruiu Lisboa, não só pela sua magnitude, mas também por ter gerado um enorme tsunami – que chegou até o nordeste brasileiro – e que, dada a imensa destruição, ainda gerou um incêndio de enormes proporções na cidade, resultando na destruição quase total da cidade, em especial na sua parte baixa.

Ilustração do tsunami que atingiu Lisboa em 1755
Simulação do Terremoto e Tsunami de Lisboa

O terramoto fez-se sentir na manhã de 1 de Novembro de 1755 às 9h30 ou 9h40 da manhã, dia que coincide com o feriado do Dia de Todos-os-Santos. A data contribuiu para um alto número de fatalidades, visto que ruas e igrejas estavam cheias de fiéis.

Hoje, você pode visitar algumas ruínas das construções que sobreviveram, ainda que parcialmente, a esta tragédia, como as Ruínas do Carmo e o Museu Arqueológico do Carmo.

Ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa
Ruínas do Convento do Carmo

Essa destruição ampla deu a oportunidade ao Marquês de Pombal, com o ouro que chegava de Minas Gerais, de reconstruir a cidade baixa e empreender uma obra de requalificação urbanística notável, seguindo um novo traçado geométrico, com grandes vias de estilo clássico.

Pombal aproveitou para transformar a cidade que, apesar de rica e cosmopolita, mantinha até então um aspecto medieval, com ruelas estreitas e tortuosas. Todo o centro de Lisboa, região que ficou conhecida como Baixa Pombalina, foi reconstruído seguindo um planejamento urbano, com a abertura de largas avenidas e praças.

O metal precioso brasileiro continuava a abastecer os cofres reais, situação que se estendeu até o esgotamento das minas no Brasil no final do século XVIII. A partir daí Lisboa passou por momentos difíceis.

E aí, uma vez mais, Portugal e especialmente Lisboa foi invadida, desta vez pelas tropas de Napoleão. Dom João VI, sua esposa, a desbocada Carlota Joaquina, o resto da família real, nobres, o alto clero e todo mundo que pode deixou a cidade às pressas. O povo de Lisboa, abandonado à própria sorte, viu sua cidade ser ocupada (e, em parte, saqueada) pelos franceses.

A cidade ainda foi conquistada outras vezes, inclusive por Napoleão em 1807, tendo sido conquistada pelos ingleses, e, após a vitória do liberalismo, a organização urbanística pombalina foi quebrada, passando a ser construídos alguns dos mais emblemáticos edifícios da cidade, dos quais se destacam o Palácio da Ajuda, a Ópera de S. Carlos, a Basílica da Estrela e o Teatro D. Maria II.

LISBOA DO SÉCULO XX

No século XX, a Avenida da Liberdade passou a apresentar-se como o eixo da nova cidade, surgindo, então, outros importantes edifícios na cidade, tais como o Hotel Palácio, o Eden Teatro, o Cinema Tivoli e o Hotel Vitória.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Lisboa foi o refúgio de muitos exilados dos países ocupados pelo eixo em trânsito para os Estados Unidos e Grã-Bretanha, já que Portugal declarou neutralidade e acabou sendo uma das poucas zonas de paz da Europa durante a II Guerra.

Em 1932, António de Oliveira Salazar tomou o poder e criou uma ditadura, que durou até 25 de abril de 1974, quando um golpe de Estado acabou com este regime. Esse facto ficou conhecido como a “Revolução dos Cravos”. Durante estes anos, Lisboa sofreu uma grande mudança demográfica e expansiva.

Retrato em preto e branco de António de Oliveira Salazar
Antonio Salazar
Foto histórica de uma multidão nas ruas de Lisboa
Imagem da Revolução dos Cravos

Em 1986, Portugal entrou na União Europeia. Em 1994, Lisboa tornou-se Capital Europeia da Cultura e, em 1998, foi sede da Exposição Mundial destinada a comemorar os 500 anos das descobertas de Vasco da Gama.

A Expo98 que transformou a fisionomia da parte oriental da cidade, criando o que hoje conhecemos como PARQUE DAS NAÇÕES.

No mesmo ano, como parte das comemorações, foi inaugurada a maior ponte do continente, a Vasco da Gama, e o Oceanário de Lisboa, um dos melhores e mais completos do mundo.

A outra ponte sobre o Tejo, a Oliveira Salazar, teve seu nome mudado para Ponte 25 de Abril em 1974. Soa muito melhor, já que 25 de abril é a data que simboliza a Revolução dos Cravos, justamente aquela que derrubou o ditador Salazar!

A capital portuguesa é hoje uma bela cidade, que concilia tradição e modernismo. Conserva largas avenidas nas áreas destruídas pelo terremoto de 1755, mas mantém o traçado medieval em bairros como Alfama, que escapou dos tremores. Funiculares e um elevador unem a parte alta da cidade à baixa (que, apropriamente, se chama Baixa).

Do ponto de vista econômico, Lisboa é considerada como cidade global devido à sua importância em aspectos financeiros, comerciais, mediáticos, artísticos, educacionais e turísticos.[4][5] 

É um dos principais centros econômicos do continente europeu, graças a um progresso financeiro crescente favorecido pelo maior porto de contentores da costa atlântica da Europa e mais recentemente pelo Aeroporto Humberto Delgado, que recebe mais de 20 milhões de passageiros anualmente (2015).

Lisboa conta com uma rede de auto-estradas e um sistema de ferrovias de alta velocidade (Alfa Pendular), que liga as principais cidades portuguesas à capital. A cidade é a sétima mais visitada do sul da Europa, depois de Istambul, Roma, Barcelona, Madrid, Atenas e Milão, com 1 740 000 de turistas em 2009, tendo em 2014 ultrapassado a marca dos 3,35 milhões.

A nível global, Lisboa foi a 35.ª cidade com maior destino turístico em 2015, cerca de 4 milhões de visitantes.

Em 2015, foi considerada a 11.ª cidade turística mais popular, à frente de Madrid, Rio de Janeiro, Berlim e Barcelona. Em 2018 conquistou nos World Travel Awards os galardões de “Melhor Cidade Destino” e “Melhor Destino City Break” a nível mundial.

A região de Lisboa é a mais rica do país, com um PIB PPC per capita de 26 100 euros (4,7% maior do que o PIB per capita médio da União Europeia). A sua área metropolitana é a vigésima mais rica do continente, com um PIB-PPC no valor de 58 mil milhões de euros, o que equivale a cerca de 35% do PIB-PPC total do país.

Lisboa ocupa o 122.º lugar entre as cidades com maiores receitas brutas do mundo. A maioria das sedes das multinacionais instaladas em Portugal encontram-se na região de Lisboa, a nona cidade do mundo com maior número de conferências internacionais.

Todo esse crescente interesse turístico em Lisboa tem, entre suas mais diversas explicações, o fato de Portugal ser hoje o 3º país mais pacífico do mundo, ter um custo de vida muito mais barato do que o restante da europa ocidental, não ser alvo de ataques terroristas, além de sua famosa gastronomia e seus excelentes (e baratos) vinhos.

Dentre algumas curiosidades de Lisboa está a estátua do Cristo Rei, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, que se situa na margem esquerda do rio Tejo, é uma cópia do Cristo Redentor do Rio de Janeiro. Possui uma altura de 28 metros e o monumento na totalidade mede 110 metros de altura.

Cristo Rei e a ponte 25 de Abril sobre o Tejo
Estátua do Cristo Rei e Ponte 25 de Abril

A ponte Vasco da Gama foi inaugurada a 4 de abril de 1998 e é a maior ponte da Europa, medindo 17,2 quilómetros, dos quais 10 estão sobre as águas do estuário do Tejo.

A Bela capital portuguesa, como vocês viram nas imagens, é um local repleto de locais históricos a visitar, belezas naturais e entretenimento de qualidade, mas isso vai se tornar, em breve, um outro vídeo do nosso canal do Youtube, o Café com Bigode, com dicas direto de lá, a cidade de LISBOA.

Por isso, não deixa de comentar dizendo o que você mais quer saber sobre Lisboa, e de se inscrever no canal para não perder os próximos vídeos. Um abraço, e até a próxima viagem.

Victor Ramos, criador do Café com Bigode

Victor Ramos

Criador do Café com Bigode

Baiano, moro em Portugal e ando de snowboard há quase vinte anos. Escrevo aqui as reviews que eu gostaria de ter encontrado antes da minha primeira viagem para a neve.

40+ estações · 10+ países · nenhuma viagem patrocinada

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