Existe uma linha ténue entre o medo e o respeito. Passei a maior parte da minha vida a colocar o mar do lado do medo, especialmente o mar aberto, vasto e imprevisível: o tal do “alto-mar”. E olha que eu surfo há mais de 20 anos, e ainda assim tenho esse medo.
Mas a Gronelândia, com a sua força bruta e beleza silenciosa, tinha outros planos para mim. Ela decidiu ensinar-me a respeitá-la, e a lição foi… intensa.
Este é o relato do capítulo mais transformador da minha viagem: a jornada que começou no caos de uma tempestade com ondas de 6 metros (equivalentes ao Estreito de Drake, de Ushuaia para a Antártica) e terminou num silêncio e euforia que eu nunca tinha sentido, ao mergulhar voluntariamente nas suas águas a 1°C.
Aperte o cinto (ou o colete salva-vidas) e venha viver esta aventura comigo no vídeo completo abaixo. Ou se preferir, siga lendo minha narrativa dessa aventura, que você também pode viver!
Depois da Tempestade, a Aurora
O vídeo e post anterior dessa viagem à Groelândia terminou com um aviso: a noite seria longa e o mar, violento.
E foi.
Cada onda que esmagava o casco do navio era um teste de resistência para o meu maior medo. A sensação era a de despencar num abismo e, no segundo seguinte, escalar uma montanha de água. Mas o que eu não sabia era que essa provação era o teste final, o que me daria acesso às verdadeiras recompensas da Gronelândia.
E a primeira recompensa foi celestial. Como se a natureza quisesse pedir desculpa pela noite agitada, ela presenteou-nos com uma Aurora Boreal que dançou no céu, anunciando a calmaria que estava por vir.

O dia seguinte acordou num espetacular dia de verão, enquanto navegávamos por um dos fiordes mais longos e bonitos do mundo, o Prince Christian Sund.

Navegando entre Gigantes de Gelo
A calmaria do fiorde foi o prelúdio para um dos momentos mais esperados da viagem: o encontro com os icebergs. Lembrem-se da expressão “a ponta do iceberg”. Se eles já parecem monumentais na superfície, é impossível não nos sentirmos pequenos ao imaginar a sua imensidão escondida sob as águas escuras.
Navegar entre estes gigantes foi uma experiência de humildade. O capitão do nosso navio de expedição, um verdadeiro explorador moderno, chegou a sair num Zodiac com equipamento especial para mapear rotas seguras em águas inexploradas, permitindo-nos chegar a lugares onde poucos, ou nenhuns, tinham estado antes.
Explico isso em mais detalhes no vídeo, com ele mesmo na verdade explicando como fez, mas o fato é que isso viabilizou um passeio INCRÍVEL entre enormes Icebergs na Groelândia:


O Desafio Final: O Mergulho a 1°C
E foi ali, no meio daquele cenário de gigantes de gelo, que surgiu a oportunidade de enfrentar o mar de uma vez por todas. O polar plunge, o mergulho nas águas geladas.

A fila da coragem, o termo de responsabilidade que tivemos de assinar (lembrando que estávamos numa área com orcas e até ursos polares), a dúvida a bater à porta: “Porque é que eu resolvi fazer isto?”. Mas no fundo, eu sabia o porquê.
E então, o salto.

Depois do choque, do ar que foge e do shot de “coragem líquida” que aquece o corpo, veio um silêncio que eu nunca tinha sentido.
Toda a ansiedade, todo o medo do mar… desapareceu. Naquele momento, naquela água de zero grau, eu não estava mais a lutar contra a natureza. Eu era parte dela. E essa sensação… essa sim, foi a verdadeira recompensa.
A Paz Selada: Um Encontro com Baleias
Como se a Gronelândia quisesse assinar um tratado de paz comigo, ela deu-me o seu presente mais grandioso. Um encontro surpresa com centenas de baleias, um momento que deixou até a tripulação experiente em êxtase.
O mar, que antes me assustou com a sua fúria e me desafiou com o seu gelo, agora mostrava-me a sua alma. E foi ali, a ver as baleias a dançar ao lado do navio, que eu entendi: a aventura não é sobre conquistar a natureza, mas sobre aprender a respeitá-la e a admirá-la.


Uma lição valiosa, que seria crucial para a próxima e última etapa da nossa aventura: a exploração de uma base militar secreta americana, num território guardado por ursos polares… mas isso, claro, fica para o próximo post.
E se você se interessou por essa viagem, quer saber como fazê-la e, antes disso, ver em todos os detalhes, não deixe de ver a série no nosso Youtube. São 4 episódios, contando tudo do início ao fim em relação às experiências, e no 5º vídeo eu irei contar tudo sobre o navio, como organizar sua viagem pela Groelândia, que empresa usei para isso, preços etc..
Alguns vídeos da série, além do que já coloquei no início deste post:


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