Sabe aquele sonho de infância que parece distante, quase impossível? Para mim, um desses sonhos sempre teve nome: Groenlândia.
Uma ilha gigantesca, coberta de gelo, isolada no topo do mundo. E em 2025, eu finalmente parti para realizar esse sonho. O que eu não contava é que, para chegar no paraíso gelado, eu precisaria antes atravessar meu inferno particular: o medo do mar aberto.
Como narrei no primeiro episódio, tudo começou em Copenhague, na Dinamarca, onde curti um dia por essa cidade que já foi eleita a melhor do mundo para se viver diversas vezes e, de lá, peguei um voo para Kangerlussuaq, já no Oeste na Gronelândia, onde começaria a jornada e, para isso, precisaria enfrentar um grande medo: embarcar num navio de expedição para encarar o ALTO-MAR, e navegar por toda a Groelândia:

Agora, essa é a história do segundo capítulo da minha jornada pela Groenlândia, uma aventura que você também pode assistir na íntegra no vídeo abaixo (50 minutos), mas que eu faço questão de compartilhar em palavras e reflexões por aqui também.
O Gelo, a Falta dele e o Primeiro Contato Humano
Os primeiros dias a bordo de um cruzeiro de expedição foram uma mistura de sentimentos. Cada paisagem era um soco no estômago (no bom sentido), mas também uma aflição sempre que o mar, digamos, ficava um pouco mais nervoso.
Daí veio o primeiro Glaciar: dar de cara com o Glaciar Sermitsiaq pela é algo que câmera nenhuma consegue capturar por completo. É um gigante de gelo milenar, vivo e em constante mudança.

E é aí que o paradoxo da Groenlândia começa a se mostrar. Em Kangaamiut, o primeiro vilarejo que visitei, descobri algo chocante: a falta de gelo no inverno isola a comunidade. Isso mesmo: a FALTA de gelo ISOLA.
Acostumados a usar o mar congelado como uma estrada para trenós e snowmobiles por toda a Groelândia, os moradores de Kangaamiut, na falta do gelo, enfrentam dificuldades de locomoção, como explico em detalhes no vídeo.
Kangaamiut é um vilarejo de menos de 300 habitantes, encravado numa encosta de pedra, e totalmente dependente de barcos e helicóptero para a chegada e saída do vilarejo, e os pequenos barcos dos moradores não são suficientes para quebrar o gelo que se forma em outra região, como fazem os navios “icebreakers”, o que gera esse isolamento absoluto.

NuukYork: A Menor e Mais Surpreendente Capital do Mundo
Esqueça tudo que você imagina sobre uma capital. Com menos de 20 mil habitantes, Nuuk (apelidada carinhosamente de NuukYork) é um universo à parte. É uma cidade que pulsa com uma modernidade inesperada, que a faz parecer uma cidade maior, ao mesmo tempo em que consegue não perder a paz de um lugar isolado do resto do mundo, e de uma cidade de 20 mil habitantes.

Foi lá que mergulhei de cabeça na cultura local. Visitei o Museu Nacional, que conta a história de um povo resiliente, e, claro, me aventurei na culinária. Sim, eu provei Mattak (pele e gordura de baleia crua) e sanduíche de Musk-ox (um boi selvagem do ártico). As impressões? Me surpreendeu bastante, especialmente o Mattak, já que não sou fã de frutos do mar!

Mas o mais fascinante em Nuuk foi conversar e entender as nuances de um território autônomo da Dinamarca. Descobri um sistema de educação e saúde que paga para os jovens estudarem e que transporta grávidas de vilarejos remotos de avião, tudo de graça.
É um lugar de contrastes, que luta pela sua independência enquanto abraça o futuro. E para fechar o dia, um presente dos céus: a primeira e suave aparição da Aurora Boreal direto do navio, do meio do mar. Que surpresa incrível!

A Mentira que Deu Nome à Terra do Gelo
Você já se perguntou por que um lugar com 80% de seu território coberto de gelo se chama “Terra Verde” (Greenland)? A resposta está em Qassiarsuk, um vilarejo que parece saído de uma saga Viking.
Foi ali que conheci a história de Erik, o Vermelho, um viking exilado e “problemático” que, para atrair mais colonos para sua nova terra, resolveu fazer um bom marketing.
Ele batizou a ilha de Groenlândia para soar mais convidativa que a vizinha Islândia (Iceland, ou “Terra do Gelo”). Uma mentira que pegou e que, ironicamente, hoje se torna um pouco mais verdadeira a cada verão.

Se você quer saber mais sobre essa história, não deixe de ver o vídeo, é muito curiosa!
A Vida com 11 Vizinhos e a Tempestade Anunciada
O ponto alto da imersão humana foi em Itilleq, um vilarejo com apenas 11 habitantes fixos. Onze! A professora da escola dá aula para 3 alunos, sendo que 2 deles são seus próprios filhos.
É uma realidade que desafia nossa concepção de comunidade e de isolamento. Um lugar de paisagens incríveis, pessoas receptivas, um Border Collie que virou meu amigo por um dia, e muito mais.

O Vilarejo mais cenográfico da primeira metade da viagem!
E foi aí que cheguei a um dos vilarejos mais impressionantes, mais isolados e mais cenográficos da viagem, Aappilatoq!

Entenda mais do isolamento no vídeo, mas é um vilarejo que me despertou muita curiosidade em razão disso. Mas também trouxe muita paz, e gastei bastante tempo admirando as incríveis paisagens.
E quando a paz e a beleza desses encontros me fizeram quase esquecer do meu medo, veio o anúncio.
A tripulação nos reuniu para informar que a navegação daquela noite seria… intensa.
O capitão mencionou ondas equivalentes às da Passagem de Drake, a rota marítima mais temida do mundo, que liga a América do Sul à Antártida. A noite começa comigo vendo a tripulação preparar o navio para “o pior”.
O sonho estava, pela primeira vez, se transformando em um possível pesadelo. E a continuação… bom, essa fica para o próximo episódio.
E você, teria coragem? Me conta nos comentários!

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